REPENSAFUT: repensar o futebol, repensar a vida...


A vida é um passe em:

A torcida contra seu time

Esse tema é polêmico, muitos vão querer “me malhar” da maneira com que fazem com os jogadores, só porque vou tocar em uma ferida de nossa bela torcida acepena. Torcedor do ACP anda torcendo “pro touro ou pro toureiro” (conforme a expressão do estiloso Pedrão da Cultura)?

 

A passionalidade dos torcedores em qualquer estádio de futebol é famosamente definida pelos sociólogos Elias e Dunning como uma espécie de “fissura na civilidade” dos homens, ou seja, um jogo de futebol é o momento onde os torcedores perdem certo controle da racionalidade e do recato social e deixam-se levar por pulsões predominantemente emocionais (passam a ser “não civilizados” em um jogo). Isto explica os gritos do torcedor, os palavrões e, eventualmente, as brigas e provocações feitas em um jogo.

 

Mas o que dizer da variação cultural entre os torcedores? A tese de Elias e Dunning generaliza a atitude dos torcedores e faz com que se perca o particular em uma relação de torcida. Afinal, há diversas formas de torcer e não somente com gritos e xingamentos: a torcida do Corinthians grita o nome de cada um de seus jogadores antes do jogo; a do São Paulo faz questão de ressaltar os seus três títulos mundiais.

E a torcida do ACP? Como vai a cultura de torcer por aqui?

Os torcedores de Paranavaí que comparecem ao estádio têm como cultura a pressão total sobre os seus próprios jogadores. Como o número de torcedores que compareceram ao WW neste ano não ocupou a maioria do estádio, os torcedores podem manifestar-se individualmente – em alto e bom som – sobre a equipe em campo. Estas manifestações chegam fácil ao campo e não são positivas: individualmente, um torcedor “massacrou” o goleiro Ednaldo em algumas partidas (claramente deixando-o nervoso em campo e o fazendo errar, como na partida ante o Iraty na primeira fase); na partida contra o Roma de Apucarana, o comentarista Rafael Souza ressaltou “como o Ferraz joga bem fora de casa!”; na derrota contra o Cianorte, o narrador da RPC percebeu que “curiosamente, os torcedores tão vaiando o seu próprio jogador expulso (Jaime), ao invés de defendê-lo diante do árbitro”; até para o discreto e educado Rogério Perrô já sobrou...

Em Paranavaí, estranhamente, o adversário parece estar vestido de vermelho!

E assim vai. O ACP acaba de ser derrotado pela sexta vez consecutiva no estadual, e não digo que a culpa é “da torcida que joga contra”, mas é evidente que os torcedores locais influenciam nas atuações. Também não digo que a torcida não deva se manifestar diante de seus jogadores, pois cobranças são comuns no futebol. Afinal, faço aqui somente uma observação sobre o comportamento dos torcedores.

Um dos trunfos de se “jogar em casa” é por se ter torcida à favor, e é fato que os torcedores de Paranavaí estão extremamente impacientes (e, por vezes, desrespeitosos) perante os seus próprios jogadores. Alguns torcedores do ACP assemelham-se em comportamento aos povos estudados por Pierre Clastres em A Sociedade Contra o Estado: no entendimento de que o “Estado” são as relações de poder que colocam um líder tribal no poder, Clastres interpreta que os povos agem “contra” o seu chefe pela necessidade de reforçarem seus vínculos sociais e para colocarem os chefes unicamente como “serviçais” da sociedade. Os torcedores acepeanos que criticam agressivamente os jogadores fazem com que este seja um momento de os atletas serem “serviçais” de suas frustrações e raivas. Talvez até por não terem realizado o sonho de serem eles, os reclamantes, jogadores de futebol...

(Ps. Este é um problema presente desde o ano passado, quando vários jogadores chegaram a dizer que não se sentiam bem jogando em Paranavaí, tamanha era a agressividade diante deles. Se o time não vence em casa, convenhamos, o problema não é do treinador – um dos melhores do interior – e nem dos atletas – um elenco competitivo e formado entre as tantas limitações de clube interiorano).



 Escrito por Vítu Garcia às 20h36 [] [envie esta mensagem] []






A vida é um passe: A graça do nosso campeonato amador

 

Domingo, dia 24/10/2010, foi possível reunir comida alemã com churrasco, mandioca “derretendo” e futebol na casa do Baiano de Graciosa! Se é da diversidade que construímos o nosso povo brasileiro, a reta final do campeonato amador 2010 proporciona uma experiência em que a fraternidade se faz com união, respeito às diferenças e muito futebol.

 

Este foi um final de semana tomado por emoções proporcionadas pelo futebol. Setenta anos do Rei Pelé (como ele é humilde! E como jogava! Mas é uma lástima politicamente...), rodada emocionante com o Galo se reerguendo em “Berlandia” com três de Obina contra o Cruzeiro, com vitória do Corinthians “titês” a la Mano Menezes (muito seguro) contra o Palmeiras, superação do Vasco e sofreguidão do Inter (que se preocupa demais com o “mundialito” e começa a ficar distante da disputa pelo título). A bola foi bem chutada na elite do futebol brasileiro.

 

No entanto, também tivemos acontecimentos. Nas semifinais do Campeonato de Futebol Amador 2010 da Liga de Futebol de Paranavaí, aconteceram jogos como o 2 a 2 entre Estrela Vermelha (adoro este nome e sua história, confesso que era o meu time no torneio) e União Guairaçaense, e a vitória do AD Graciosa por 2 a 0 sobre o Terra Rica FC.

 

No jogo da Vila Operária, o Estrela vencia por 2 a 0 até chegar o segundo tempo, quando os guairaçaenses passaram por cima do mito de que “ninguém consegue ‘jogar’ na Vila” e empataram o jogo. Com a soma dos resultados – vitória do Guairaça por 5 a 1 no primeiro confronto – a nossa Vila ficou fora da final e o União chega a mais uma final de campeonato (é o atual campeão).

 

Não acompanhei a partida do Estrela, pois estive na simpática Graciosa juntamente com a equipe da Cultura AM cobrindo os azuis locais. Foi um dia agradabilíssimo, em que primeiro desfrutamos de um ótimo almoço com a família do Baiano (presidente da associação), num banquete diversificado: comida alemã (não gravei o nome do prato, na próxima especifico aqui), churrasco, mandioca e cervejinha gelada. Tudo acompanhado de um ótimo bate-papo sobre futebol.

 

Horas depois veio a partida: um acontecimento surreal, sob um sol pujante e algumas “dorezinhas de cabeça” por causa da linha telefônica não instalada. A movimentação do jogo teve um primeiro tempo com um pouco de nervosismo por parte do Graciosa no início do jogo, mas que foi estabilizado no decorrer dos 10 primeiros minutos. No restante do 1º. Tempo, imposição de jogo: o Graciosa marcava fortemente o Terra Rica em seu campo, com os terrarriquenses exagerando em saídas mal sucedidas pelo lado direito (com roubadas de bola sobre Marcelo e Carlos) e má atuação de seus volantes de contensão (que erravam muitos passes). Mesmo com a pressão, terminou 0 a 0.

 


 

No segundo tempo a partida foi desequilibrada. Até os 5 min, o capitão do Graciosa – Poconé – chacoalhava os companheiros gritando em campo, tanto que o lateral Wesley fez rápida jogada pelo lado direito do ataque e cruzou na cabeça do “capita”, que não teve marcação lhe acompanhando: 1 a 0.

 

Depois disso, o jogo ganhou velocidade pelas saídas do Terra Rica ao ataque (um tanto desorganizadas) e pelo posicionamento inteligente que a equipe de Graciosa adquiriu. Os azuis locais passaram a jogar bem no estilo da moda (4-2-3-1), com uma linha de quatro defensores protegendo a grande área, dois volantes, um jogador de cada lado como meias-atacantes e um centralizado e apenas Dário como referência à frente. Não apurei se foi estratégia prévia da equipe ou algo que surgiu ao acaso, sei que o time ficou muito “firme”.

 


 

Tempo depois, após vários ataques inócuos do Terra Rica, os problemas no meio-campo desta equipe voltaram a acontecer (os volantes não cobrindo a área e mal nas saídas) e o atacante Dário roubou bola e chutou da entrada da área: 2 a 0 para o time do Baiano.

 

A partida permaneceu com o Terra Rica ineficaz e o Graciosa bem posicionado. Término de jogo: 2 a 0 naquele pequeno campo. Foi um bom jogo tática e tecnicamente, além de ter algo muito interessante (eu diria que raro no futebol de hoje): o camisa 7 do Graciosa, Barata, um meia-armador que desarmava e ocupava espaços nas duas intermediárias.

           

Nosso futebol local é um grande laboratório de experiências. Porque assistir o Barcelona jogar para ver o Xavi, se temos o Barata no Graciosa (e isto pode ser exagero, mas não uma ironia). E o encontro com pessoas apaixonadas, a felicidade de um gol junto com as características únicas de um lugarejo... Bem como uma frase do Baiano: “o mais importante é a amizade que a gente faz, o futebol é o lugar onde mais a gente pode fazer isto”. A solidariedade passa por ali...

 

P.s. Convido a todos para acompanharem as finais do Amador 2010, entre União Guairaçaense e AD Graciosa/Amidos Yamakawa, nas próximas semanas, com transmissões da Equipe Cultura AM 1080 Khz.



 Escrito por Vítu Garcia às 00h44 [] [envie esta mensagem] []






17/Outubro/2010 – Domingo

A vida é um passe

Dagol, dois paranavaienses e uma partidaça!

O clássico San-São deste domingo (17/10) foi uma “partidaça”! Em campo estiveram os dribles e passes de Neymar, dois bons jogadores de Paranavaí (Miranda e Diogo), um gol no minuto final e o voador Dagoberto em busca da reconstrução de sua carreira. Os 4 a 3 para o São Paulo no Morumbi hoje corresponderam a um dos melhores jogos do Campeonato Brasileiro 2010.

O duelo iniciou com pressão por parte do Santos, o que ocasionou no primeiro gol aos três minutos do primeiro tempo com Alan Patrick pegando um rebote de Rogério Ceni. Rapidamente, o São Paulo reverteu o resultado com dois gols de Dagoberto (de cabeça, na pequena área, demonstração de que os zagueiros santistas foram incompetentes em posicionamento e desarme aéreo próximo ao gol). Antes dos primeiros vinte e um minutos de partida, Dagoberto disparou num contra-ataque que provocou o gol contra de Pará (terceiro do tricolor do Morumbi) e o Santos descontou com Zé Eduardo, completando uma jogada construída pelo lado direito com o mesmo Pará. 3 a 2 só na primeira metade do primeiro tempo!

Na segunda etapa da partida, Richarlyson foi expulso após aplicar uma tesoura em Zé Eduardo. Alguns minutos se passaram e Neymar sofreu um pênalti (após driblar o lento Alex Silva) e converteu, empatando o jogo. O São Paulo, que esteve resguardado no campo defensivo até aquele momento, passou a avançar para cima do Santos com jogadas quase letais (em duas delas, o lateral Jean chutou pessimamente e perdeu “meio-gols”!).

Faltando dois minutos para o término do jogo, Neymar passou a bola com grande sutileza e milimetria para Danilo que…

… chutou para a defesa de Rogério Ceni! O jogo estava nos acréscimos e quase o Santos virara a partida.

Foi então que o São Paulo executou um ótimo contra-ataque, aos 48 minutos, em que à direita da grande-área do Santos houve uma virada de perna esquerda de Marlos para Ricardo Oliveira. Este cabeceou, o goleiro santista Rafael espalmou e Jean – em redenção – cabeceou para encerrar o drama tricolor. Vitória, depois de quatro derrotas seguidas para os Meninos da Vila.

Os paranavaienses Miranda e Diogo atuaram como bons jogadores que são: tecnicamente, Miranda realizou desarmes velozes e excepcionais saídas de bola, enquanto Diogo utilizava seus cruzamentos e velocidade para o apoio ofensivo pelo lado esquerdo; taticamente, Miranda foi o zagueiro que melhor se colocou no momentos dos desarmes (principalmente como zagueiro “de sobra”) e Diogo foi um dos principais na alteração tática que revigorou a equipe (depois da expulsão de Richarlyson, para o esquema 3-5-1), ao compor o meio-campo como ala esquerdo. 

E a estrela da noite foi Dagoberto. Dagol saiu de campo com elogios deslavados, ao pé do ouvido, vindos do treinador Carpegiani: “você jogou muito hoje!” disse o técnico, enquanto o brilhante jogador saia com um leve, discreto e “curitibano” sorriso no rosto. Lembrou-me o Sul-Americano Sub-20 em 2003, quando o treinador de uma equipe adversária disse para “não deixarem esse Dagoberto jogar”, enquanto era o grande destaque da equipe brasileira junto com Nilmar. O tempo passou, Dagol não evoluiu tecnicamente – ao contrário de seu parceiro de ataque da época –, teve constantes problemas de relacionamento coletivo e destacou-se nas equipes em que jogou somente com brevidade.

Depois de um momento em baixa, em que quase foi embora do São Paulo, hoje Dagoberto foi aplaudido após voar magicamente em campo. Mas a magia do futebol, como no restante da vida, exige constante revisão, reflexão e aprendizado para ser posta em prática novamente. Que Dagoberto e todos nós assim busquemos…



 Escrito por Vítu Garcia às 00h40 [] [envie esta mensagem] []






A VIDA É UM PASSE

A hegemonia dos Joões Carlos

A recente discussão neste blog referente à formação de um goleiro do Atlético Paranaense, o paranavaiense João Carlos Heidemann ( acompanhem aqui http://bit.ly/acHoTm ), sintetiza um dos conflitos elementares da sociedade que chegou à era da nanorobótica, dos transplantes faciais e das sondas espaciais sem se desfazer da busca pelo imediato e simples.

Nossa sociedade capitalista do século XXI chegou ao topo da modernidade tecnológica, em que quase tudo que nos rodeia é artificializado. Temos à disposição – ao menos para os mais ricos – meios de comunicação e transporte que atingem a qualquer lugar do planeta, além de suplementos alimentares, medicamentos e máquinas capazes de tonificarem músculos ou redefinirem quimicamente até emoções subjetivas.

Somos sujeitos globalizados, transpassados rotineiramente por uma tonelada simbólica de informações que às vezes deixam nossas cabeças pesadas na hora de dormir, e ainda assim precisamos nos identificar com o que é local, com o que nos conforta mais imediatamente como sendo nosso.

Não vou entrar em detalhes da formação atlética de João Carlos, já suficientemente repercutida. Destaco outro ponto: a postagem sobre João representa o conflito entre a identidade localista (chamado por alguns de “bairrismo” ou regionalismo) e o mundo que figura enquanto globalizado (ligado à grande mídia, ao futebol profissional e ao grande mercado). Esta situação, segundo o historiador britânico Eric J. Hobsbawm, é a maneira como o futebol transparece o principal conflito na humanidade. Somos locais/nacionais ou globais?

Enquanto há cultura interligada e globalizada, também o bairrismo (percebam que não uso este termo no sentido negativo) ou regionalismo é em diversos lugares reafirmado. Casos que orgulham uma localidade acontecem em muitas proporções e partes do mundo, como com Dunga, enquanto treinador da seleção mais vezes campeã do mundo (Brasil), sempre se orgulhava de sua “aldeia” Porto Alegre; com Cafu, ao homenagear o seu bairro de nascimento com uma camiseta “100% Jardim Irene” no título de 2002; na frase “mais um paranaense convocado para a seleção”, que ouvimos algumas vezes do jornalismo esportivo da RPC; com a seleção espanhola, campeã do mundo de futebol, que nada seria sem o regionalismo do Barcelona.

Aqui em Paranavaí não é diferente. Nas sinceras palavras de Pedro Machado: “Olha, tenho um orgulho tremendo quando vejo alguém daqui, que representa a gente, e se destaca aí pra fora”. Manifestações de orgulho local ocorrem sobre o ACP – “uma ‘marca’ que leva o nome de Paranavaí” são as palavras ditas –, o zagueiro Miranda e o lateral Diogo, ambos do São Paulo FC, e recentemente em relação a João Carlos.

Todas as pessoas buscam o seu “cadinho no mundo”. Nos dias atuais, este “cadinho” possui diversos modos de ser representado, ora por meios high-tech, ora num bate-papo no boteco, e o bom goleiro atleticano foi um delicioso motivo para isto no blog.

Exaltar e debater publica e respeitosamente sobre o esporte, os esportistas locais e os seus formadores é algo salutar, no entanto não se pode resumir a isto. Precisamos de boas políticas públicas (em todos os níveis) para a educação física, e que mais Joões sejam formados e com diferentes orgulhos locais difundidos ao mundo.



 Escrito por Vítu Garcia às 02h38 [] [envie esta mensagem] []






Política como futebol: dinheiro para vencer

A vida é um passe especial “Eleições 2010”

Política como futebol: dinheiro para vencer

Montar um time de futebol e organizar um grupo de cabos-eleitorais: o futebol possui muito em comum com a política eleitoral. Como a vida política no Brasil para a maioria dos cidadãos se restringe à eleição – com o voto singelamente repetido a cada quatro anos – infelizmente definimos os rumos de nossas ações políticas institucionalizadas em um mísero dia de votação. Em um tempo pequeno (como disse, um mísero dia de votação) muita coisa se define, o que deixa os acontecimentos eleitorais no Brasil com cara de partida de futebol, pois um instante é decisivo!

Fui comentarista político da Rádio Cultura no momento da apuração neste domingo. Sou um estudioso da sociedade brasileira e não tive problemas em estampar a configuração de forças eleitorais nacionais e locais. Todavia sentia-me numa encruzilhada, pois também dedico minhas interpretações à cultura do futebol e, mesmo com a profundidade de meus conhecimentos (modéstia à parte, pois citada até entre meus companheiros), tomava precauções para não misturar o modo de ver as coisas. Análise política é uma coisa, “estética da bola” é outra.

Contudo, que diferença pequena! “Jogo é jogo, e vice-versa”, conforme o dizer do ex-atacante Jardel, e então vimos como Ricardo Barros e Gustavo Fruet surpreenderam na eleição paranaense para o senado – com este último apenas 190.000 votos atrás de Requião –;  Aloysio Nunes superou Marta Suplicy e Netinho em São Paulo; Marina Silva rompeu a barreira das famigeradas “margem de erro” das pesquisas, chegou a 19,33% e desequilibrou a eleição rumo ao segundo turno. Jogos de futebol, jogos eleitorais brasileiros…

O futebol como metáfora da política segue a mesma lógica capitalista do esporte mais popular do planeta: assim como está caro montar um time campeão para as quatro linhas, está cada vez mais difícil alguém que não aplique uma boa quantidade de dinheiro vencer uma eleição. A demanda por cabos-eleitorais é cada vez maior, somada à diminuição drástica de militantes vinculados ideologicamente aos partidos e candidatos. Observem o conhecido caso local do Professor Ailson, candidato a deputado estadual que realizou uma campanha com poucos recursos e baseada no corpo-a-corpo entre conhecidos. Infelizmente a campanha modesta de Ailson captou apenas 431 votos em Paranavaí, enquanto alguns candidatos de outras localidades (com alguns meses de preparação/campanha, estando bem equipados e com diversos cabos-eleitorais pagos) reuniram mais votos do que ele em nossa cidade.

Este é um dos problemas mais sérios de nosso país e atesta a fragilidade de nossa democracia. Temos uma terrível combinação de “cidadãos de quatro em quatro anos” – que pouco se mobilizam para acompanharem no cotidiano os nossos representantes e tratam política como mero dia do voto em que uns perdem e outros ganham – e um sistema político-eleitoral que beneficia as relações de mercado, o “quem pagar leva”, os grandes contingentes de cabos-eleitorais e – em sua face mais perversa – a corrupção em compra de votos. 

Romper com a “futebolização das eleições” e as relações de consumo fúteis (votar no “mais bonitinho” ou de “boa aparencia”) que envolvem o pleito eleitoral é “virar o jogo” fazendo reforma política e também transformando o cotidiano em uma intensa vivência política. Ideologia, utopia coletiva, posicionamentos partidários, opiniões e sonhos para país e localidade existem em todos os espaços, precisamos deixá-los transparecerem entre nós.



 Escrito por Vítu Garcia às 21h18 [] [envie esta mensagem] []






A vida é um passe: Um Fantasma forte e que ainda pode fazer sucesso

Um Fantasma forte e que ainda pode fazer sucesso

No domingo que passou (26/09) acompanhei por internet e rádio a partida entre Joinville e Operário Ferroviário Esporte Clube (nome forte!) pela quarta divisão do futebol brasileiro. Quem acompanhou o campeonato estadual lembra-se que o Operário (“de Ponta Grossa”) terminou o campeonato uma posição à frente do ACP, sexto colocado no paranaense, e conseguiu uma vaga na série D do Brasileiro 2010.

            O Fantasma – apelido do OFEC, desde os anos cinqüenta por “assombrar” os grandes da capital – possui uma história quase centenária envolta por dificuldades, poucos títulos e duas espécies de “fusões”. Foi criado em 1912, tendo como data de fundação simbólica (pois imprecisa) o dia 1º. de maio daquele ano, fruto da reunião do time dos trabalhadores da Rede Viação Paraná-Santa Catarina com alguns jogadores do Riachuelo Sport Club, mas adquiriu o nomenclatura Operário Ferroviário somente em 1933 com a fusão de sua matriz Operário com o Clube Atlético Ferroviário (dos funcionários da rede ferroviária). Percebe-se desde o seu surgimento uma forte identidade local e com os operários do transporte ferroviário, que tinha nas associações de futebol a sua principal atividade de sociabilidade e lazer.

            Os títulos operarianos foram conquistados com incipiência. Apenas três figuram entre o seu histórico, sendo dois “Torneios Início” – em 1927, este contra grandes como Coritiba e Palestra Itália, e 1956 – e um Campeonato Paranaense da 2ª. Divisão – 1969. Vê-se aí o quanto os pontagrossenses são tão apaixonados pela sua equipe, de riquíssima tradição porém pouco sucesso nos campeonatos disputados.

            Mais difícil do que o insucesso na conquista de títulos foi o período da década de 90: após alguns anos de presença na primeira divisão do estadual e na segunda divisão nacional (dec. 70 e 80), o Fantasma ficou de 1995 até 2009 fora da primeira divisão. Experiências ruins em negociatas também vieram, como na vinculação com o Ponta Grossa Esporte Clube no ano de 1996 que em pouco serviu para fazer o clube valorizar a sua tradição. De cinco anos para cá, em parceria com a prefeitura municipal (mais uma vez o dinheiro público “salvando” as equipes) e com a fidelidade dos torcedores de Ponta-Grossa, o Operário passou por uma reestruturação que fez o clube chegar em quinto no Paranaense de 2010 e  alcançar uma vaga na série D do Brasileiro.

            Chegou na Série D e o Operário é um dos mais cotados à subir para a Série C do Brasileiro! O símbolo desta ascensão é uma muralha de 1,89 m de altura e bem conhecido em Paranavaí: Rodrigo De Lazzari, zagueiro forte campeão paranaense pelo ACP em 2007. De Lazzari é o zagueiro central “fortão” de uma defesa no mesmo esquema 3-5-2 de nosso Vermelhinho em 2007. Na forma de jogar as duas equipes também se assemelham, com os principais recursos sendo os rápidos e bem treinados contra-ataques, com muitas jogadas aéreas e pelas faixas laterais. Aquele ACP e esse Operário são duas equipes que esbanjam capacidade física (às vezes, exagerando em faltas).

            As semelhanças entre as duas equipes são notorias, porém há particularidades entre as duas. Em meu ponto de vista, o ACP 2007 possui melhor toque de bola (Agnaldo e Tiago “jogaram muito” naquele time!), enquanto é perceptível o envolvimento mais caloroso por parte da torcida do Operário (eles têm médias de mais de três mil torcedores por partida).  

            O Operário está a uma fase da Série C. Já está entre os oito melhores do torneio e precisa eliminar um adversário no mata-mata para atingir o grande feito. Às vésperas de completar cem anos, o Fantasma pode enfim se desfazer de seus grilhões provincianos e alcançar o sucesso das primeiras divisões nacionais. A ambição por transgredir as barreiras locais é o componente mais importante do futebol na atualidade e pode valer mais do que títulos locais e regionais. Quem quer sucesso no mundo globalizado deve pensar e fazer para além de seus limites.



 Escrito por Vítu Garcia às 16h49 [] [envie esta mensagem] []






“A vida é um passe” em:

 

USO DE DROGAS NO ESPORTE: hiper-corpos humanos, violência e exclusão social.

 

Fui citado recentemente por um dos mais importantes críticos esportivos brasileiros (José Inácio Werneck, jornalista da ESPN nos Estados Unidos) em uma de suas análises sobre o uso de doping por atletas profissionais (veja em http://br4.in/G0lYe ). Digo que o esporte profissional é essencialmente público (pois é de interesse público, das coletividades torcedoras e produtoras das diferentes modalidades).

 

Sendo público, ele funciona como um “espelho” que reflete a beleza e os problemas de nossa sociedade e, ao mesmo tempo, incide sobre ela influenciando massivamente o comportamento das pessoas que usufruem dele enquanto lazer ou entretenimento.  

 

Por conta deste “vai e vem”, os esportes funcionam por meio de pessoas distintas, que chegam até ele de diferentes lugares sociais (por isso, dificilmente vocês verão um corredor de Fórmula 1 vindo da periferia) e influencia as pessoas que os acompanham com diferentes mensagem (quase sempre de fundo educativo).

 

Ou seja: um esporte que privilegia a solidariedade, a dedicação, o respeito às normas e incentiva à busca da liberdade contribui para formar cidadãos com estes princípios, enquanto a prática esportiva tomada por interesses exclusivamente voltados para vitória, o ganho de resultados por cima de qualquer regra ou respeito humano, tende a influenciar os amantes do esporte a agirem de tal modo. É a estética a serviço do ganho a qualquer custo!

 

A maximização das capacidades corpóreas, por meio de uso de substancias proibidas, corresponde à busca sem limites de auto-realização dos seres humanos de nossa época. O interesse em “ganhar” na sociedade, “vencer na vida” ou – no meio masculino – “sair com a mulher mais bonita” (para não usar outra palavra) são atitudes individualistas e mesquinhas que provocam a imoralidade e, em última instância, a auto-destruição. Este é o típico programa de vida de uma atualidade movida por “sonhos de consumo”.

O caso do suicídio do velocista Antonio Pettigrew, medalha de ouro no atletismo em Sidney 2000, é um bom exemplo do atleta obcecado pelo prestígio, que chegou ao topo transgredindo os limites da competitividade justa e, no alto de sua posição, foi repreendido e chegou ao colapso final com a auto-destruição. Casos cotidianos envolvendo drogas acontecem nas periferias de nossa cidade, com qualquer garoto que não goza de olhar consciente sobre a vida e pensa somente em “se dar bem” com as meninas e com os membros de sua turma. Esse garoto só encontra no uso (e/ou comércio) de drogas o sinônimo de poder e realização entre os seus semelhantes, sendo também um caminho auto-destrutivo para “vencer na vida”.

           

Mais exemplos são encontrados nas academias de musculação e seus rapazes “bombados”, destinados a suprirem um fetiche contemporâneo pelo corpo. Enfim, esporte de alto rendimento com doping reforça o individualismo narcisista, a obsessão por “ganhar a qualquer custo” e a exclusão de algumas camadas sociais (incapazes de competirem, por não terem condições de adquirirem as drogas maximizadoras). É o vazio existencial entre atletas e fãs, todos componentes de uma mesma sociedade violenta e tomada por modos de exclusão.



 Escrito por Vítu Garcia às 12h11 [] [envie esta mensagem] []






A VIDA É UM PASSE: ACP Jr: superar os problemas, com todos juntos!

A vida é um passe em:

ACP Jr: superar os problemas, com todos juntos!

 

O fim de semana teve como destaques no futebol nacional a primeira vitória de Felipão como técnico do Palmeiras – 2 a 0 sobre o Atlético-Pr, com lindos passes de Tinga –, a derrota do Corinthians ante o Avaí por 3 a 2 – mesmo com o Timão jogando melhor, além de que ao contrário do que fala a “mídia caolha” o problema da equipe está na falta de bons zagueiros e não no número de “volantes” (que não atuam como cabeças de área) – e a portentosa vitória do líder Fluminense sobre o desfalcado Inter por 3 a 0.

            Mas o assunto desta coluna é outro. O ACP Jr perdeu em casa por 2 a 1 para o Foz do Iguaçu na 51ª Copa Tribuna Sub 18, numa partida que expressou em seu andamento as carências do futebol interiorano.

            Antes do início do jogo foi chegando o público que comporia a torcida do Vermelhinho. Familiares dos jogadores, membros da imprensa local, demais garotos que jogam com os do ACP e amantes do futebol local foram se acomodando nas cadeiras do Waldemiro Wagner e puderam ouvir a vibrante oração dos meninos antes de entrarem em campo. Com o início da partida, os jovens atletas de Paranavaí exibiram sua jovialidade tomando o campo adversário nos primeiros minutos, mesclando um pouco de ansiedade com a ousadia que embeleza as partidas das grandes equipes.   

O atiramento dos garotos, em bom futebol, se sustentou por poucos minutos. No restante da partida tanto o ACP quanto o Foz não foram bem. As duas equipes não conseguiam estabelecer sequências de trocas de passe, tendo problemas sérios nas saídas de bola (principalmente no Foz, e como aqueles zagueiros davam chutões...) e na transição ao ataque (a forma de se passar da defesa ao ataque com o máximo de jogadores possíveis, ambas as equipes se embolavam nas intermediárias).

Por não conseguirem armar boas jogadas, em trocas de passes desde o meio-campo, as duas equipes só conseguiam atacar com perigo nos contra-ataques (quando os defensores da equipe adversária estavam de costas, voltando para recomporem a defesa) e insistindo nas faixas laterais do campo. Assim, poucas jogadas utilizaram a faixa central do campo, apelando-se constantemente aos alas e atacantes abertos nos esquemas 3-5-2 das duas equipes (veja a ilustração abaixo: ACP Jr/Vermelho; Foz/Cinza).

 

ACP e Foz: as setas correspondem à movimentação acentuadas de alguns jogadores (posicionamento na primeira etapa de jogo).

 

Alguns fatos da partida demonstram as dificuldades de ambas equipes. Os dois primeiros gols da partida aconteceram no primeiro tempo (que terminou em 1 a 1) e vieram seguidos de falhas técnicas. No primeiro, o Foz se aproveitou de uma falha da zaga acepeana; no gol de empate do Vermelhinho, o goleiro do Foz chegou atrasado ao canto protegido com a barreira, em cobrança de falta efetuada por Evandro do ACP. O segundo gol do Foz saiu no segundo tempo e também não proveio de uma jogada trabalhada, mas de limitações intrínsecas ao jogo.

            Os dois problemas constatados nas duas equipes, seja por limitações técnicas individuais ou por falhas de posicionamento coletivo, demonstram a realidade do futebol interiorano. “Saída de Bola” e “transição” são fundamentais para a competitividade, e bons zagueiros e volantes podem melhorar estes quesitos. Os grandes clubes preocupam-se em formar jogadores especificamente em tais posições (as melhores equipes do futebol mundial possuem excelentes zagueiros e volantes), mas isto custa caro e o futebol interiorano fica cada vez mais retardatário por formar na base esses atletas.

            Ao observar estas limitações impostas pela condição do ACP enquanto clube do interior, de poucos recursos financeiros e profissionais, soa como desonestidade dizer que o treinador Silas Sanches é o grande culpado pela derrota e pelo futebol apresentado pelos juniores. Sabemos bem que ele e os responsáveis pela equipe fazem o que podem pelo clube, e a maior ausência na atualidade está na colaboração da sociedade civil com a tradicional instituição local chamada ACP.

Dentro do possível, Silas pode encaixar melhor os jovens atletas em suas posições (de acordo com as suas potencialidades) e propiciar-lhes avanços técnicos. Mas a maior responsabilidade para a evolução do ACP está na colaboração destinada pela sociedade local ao clube. É Paranavaí quem deve levantar o clube!  



 Escrito por Vítu Garcia às 20h03 [] [envie esta mensagem] []






Plínio e os meninos da vila

 

[por Luiz Werneck Vianna, no jornal Valor Econômico

Não se trata de mais uma entediante metáfora futebolística, mas esse último jogo da seleção brasileira dá no que pensar. Depois dos jogos da Copa do Mundo em que nosso time, apesar de se mostrar aguerrido, evoluía pelos quatro cantos do campo sem a menor imaginação, na expectativa de que a sorte viesse a lhe sorrir, quem sabe em uma bola parada ou em erro do adversário, o que se assistiu na terça-feira, passado apenas um mês da nossa participação naquela infausta competição, foi como que uma confissão pública de um equívoco monumental. Apesar de enfrentar, em território do adversário, uma seleção americana formada há anos, de belo desempenho na África do Sul, nossos jogadores fluíam no gramado leves e soltos, sem perder de vista o objetivo crucial do jogo, o gol, fazendo do oponente um mero espectador de suas evoluções em campo.

Qual a mudança que transformou o comportamento do nosso time? A entrada de novos jogadores, antes descartados, certamente foi um fator, mas não deve explicar tudo, porque, antes da intervenção de novos pés, parece ter sido decisiva a da cabeça, com a adoção de uma nova concepção de jogo, que veio a valorizar as características de improviso e de inovação tradicionais à nossa cultura futebolística. A comparação com o quadro melancólico da sucessão presidencial em curso parece se impor, com esse desfile monótono de candidatos, como se fossem ventríloquos de marqueteiros, embora senhores (e senhoras) de fortes personalidades e cada qual com um histórico expressivo de realizações na vida pública.

A explicação é conhecida: dada a popularidade do governo Lula e a noção de que haveria um sentimento de satisfação com o estado de coisas reinante, o mote dessa campanha deveria se centrar nos temas da continuidade e do aperfeiçoamento de políticas em andamento. Tal diagnóstico recomendaria, segundo especialistas em marketing eleitoral, uma atitude de contenção por parte dos candidatos nas manifestações de suas convicções, produzindo o resultado, até agora inquestionável, de que se tornassem semelhantes entre si.

Ocorre, entretanto, que, nos debates organizados pela rede de TV Bandeirantes, o candidato que melhor atraiu a atenção do público comportou-se fora desse script, relembrando o seu desempenho, pela ênfase e comunicação expressiva de suas convicções, memoráveis momentos de um passado político nem tão remoto assim. Última imagem com futebol: Plínio atuou como um dos meninos do Santos que derrotaram a seleção americana, como se estivesse entre os burocráticos jogadores que disputaram a Copa.

Sem discussão, contudo, o viés anacrônico de certos posicionamentos do candidato do PSOL, mas esse senão não é um bom motivo para ignorar que ele trouxe à sucessão a questão da igualdade como nenhum outro, sem os subterfúgios das políticas de foco à moda de um neoliberalismo enrustido tão em voga. O fundamento último da República não é outro senão o da igualdade, pois o mundo dos desiguais é o dos principados, cujo melhor destino possível é contar com condottieri virtuosos que se façam amar por suas obras e feitos pelo seu povo, que delas usufrui como o camponês dependente do regime do clima, olhando para o céu a esperar pelas chuvas. Mas a sorte mais comum dos principados é a de estarem os muitos sujeitos à discrição de uns poucos, às vezes de um só, em sistemas despóticos que a política moderna aprendeu a camuflar no interior de aparências apenas formalmente democráticas.

Nesse sentido, está certo o candidato Plínio, diante do silêncio dos demais, em levantar o tema da democratização da terra, que, desde a nossa hora inaugural, nos condenou à desigualdade com uma história de latifúndios que criou a “ralé de quatro séculos” dos moradores de favor, base da cultura da dependência da multidão dos homens do campo, e que, com a queda do Império, se traduziu no sistema do coronelismo que contaminou os inícios da nossa vida republicana e ainda está por aí.

Trazer o tema da terra para o centro do debate político, nas condições de hoje da sociedade brasileira, importa, preliminarmente, reconhecer que não há boa solução fora dos princípios e das instituições da Carta democrática de 1988, filha das lutas por liberdade dos brasileiros. Importa, ainda, reconhecer que se deve procurar uma via de compatibilização entre o agronegócio, uma das vigas mestras da moderna economia brasileira, a defesa do meio ambiente e uma política agrária de estímulo e expansão da agricultura familiar, a qual deve ser objeto de uma política específica de distribuição de terras, tanto pelos seus efeitos benéficos à economia, como, talvez sobretudo, pela sua intrínseca capacidade de democratizar a sociedade e a política.

Não há como fugir do diagnóstico: sem igualdade não teremos a República para a qual nos orientam os melhores impulsos da nossa história. Sem ela, o movimento que hoje, na esteira da expansão da fronteira do capitalismo brasileiro, nos empurra para o mundo exterior, liderado por empresas e negócios que florescem à base da nossa abissal desigualdade social e de uma crescente centralização e concentração de capitais, longe de nos aproximar do modelo de uma República democrática pode, ao contrário, nos avizinhar da República dos doges em Veneza, ou, para quem preferir uma comparação mais moderna, da belicosa República americana dos nossos dias.

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 Escrito por Vítu Garcia às 17h31 [] [envie esta mensagem] []






ESTRÉIA DE "A VIDA É UM PASSE"

Desde o dia 15, quinta-feira, iniciei mais uma colaboração na imprensa. Minha coluna "A vida é um passe" será publicada semanalmente no blog do Joaquim de Paula e tratará de fatos esportivos, sobressaindo-se o contraste entre o "mundo global" e o "mundo local". Serão expostas em minhas linhas tanto críticas com maior apuração científica quanto crônicas com maiores efeitos literários.

Com vocês, A vida é um passe em:

Localismo mundialista

“O futuro do Barça [é] o futuro da Espanha”. Palavras fortes, um tanto proféticas e esperançosas, ditas pelo goleiro reserva José Reina a respeito do camisa dez da fúria espanhola, Cesc Fabregas. Tudo bem que o título de campeão mundial de futebol foi obtido pela Espanha num todo, com todas as suas idiossincrasias regionais de 17 comunidades autônomas unificadas por Madrid.  Mas as palavras daquele goleiro reserva (que joga no Liverpool da Inglaterra, não no Barcelona) evidenciam o quanto o desenvolvimento do futebol de uma pequena região como a Catalunha pode adquirir poderes globais.

Como o futebol é o esporte mais popular do mundo, imaginem a importância de uma equipe como o Barcelona, que forneceu 7 dos 11 titulares da Espanha na final da Copa! Se somado o reserva Fabregas, formado nas canteiras barcelonistas, são oito jogadores representando o mesmo clube de futebol em uma seleção campeã do mundo. Para uma melhor idéia da importância desses números, a seleção brasileira de 1962 – bicampeã no Chile – possuía sete jogadores do Santos campeão do mundo naquele ano, só que os atletas que formavam a base titular da equipe eram do Botafogo. Na Espanha de 2010, quem define o estilo é o Barcelona!

E o Estilo Barcelona, sustentáculo dos campeões da Euro-2008 e da Copa-2010, corresponde a uma construção histórica do futebol tratado como política de um povo. Desde as suas primeiras décadas, o Barcelona representava nos gramados a luta pela liberdade do povo da Catalunha, e o Estado espanhol via na exaltação da identidade local como um risco à unidade nacional. Com isto, o Barça (assim como o Athletic de Bilbao, representante do chamado País Vasco, local fortemente separatista) teve intervenções militares em seu estádio nos anos 20 e um presidente do clube assassinado em 1936. Há acusações de que o general fascista Francisco Franco (que ficou no poder até os anos 70), investia no Real Madrid para que os libertários barcelonistas não conquistassem espaço no ambiente futebolístico da época.

Com o passar dos anos, o Barça foi afinando mais ainda o seu discurso com a chegada do treinador holandês Rinus Michels e o maior craque de sua história, Joham Cruyff. O futebol total da Holanda vice-campeã na Copa de 1974 teve seu auge no Barcelona, com coletivismo e solidariedade bem absorvidos pelos catalães. O Barcelona queria defender a sua causa internacionalmente e a modernidade tática foi o caminho para a região conquistar o mundo.

Com os desenrolar da história, a Catalunha readquiriu o direito de usar o seu próprio idioma (o català, ao invés do castellano) e o futebol foi um dos grandes instrumentos de defesa da identidade local. O Barcelona foi se tornando um mega-clube, que não possui patrocinadores de camisas (veja que eles estampam o logo da Unicef), que mantém um modelo administrativo em forma de associação, que dissemina os valores democráticos e catalães pelo mundo.

Além de tudo isso e ainda possuir o melhor jogador do planeta (Messi), o Barça apresenta um futebol lindo e agora é a base da seleção campeã do mundo. Não há limites para o localismo mundialista do Barça, que transmite ótima lição para o futebol local – expressado, sobretudo, pelo nosso Vermelhinho.

 O futebol, como tudo na vida, é conduzido por princípios. Vamos por em campo a transformação social?


( acesse www.culturanosesportes.blogspot.com e www.joaquimdepaula.com.br )



 Escrito por Vítu Garcia às 18h10 [] [envie esta mensagem] []






ANÁLISE: RACIONALIDADE, MULTICULTURALIDADE E JUVENTUDE, A ALEMANHA É A MELHOR SELEÇÃO DA COPA

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[créditos: AP Photo/Martin Meissner]

 

[por Vítu Garcia]

Klose corre e se joga ao chão, de joelhos, indicando com os dedos um símbolo que não se sabe ao certo do que se trata (aparenta ser uma letra K). Esse gesto foi repetido por duas vezes na goleada de 4 a 0 da ALEMANHA sobre a ARGENTINA em dois gols de um artilheiro forte, mas "pesadão", lento e de movimentos prenunciados. Klose, jogador limitado, está a um gol de de se igualar a Ronaldo como maior artilheiro em Copas (Ronaldo, 15; Klose e Gerd Müller, 14).

  Além dos dos dois gols de Klose, pude perceber uma ALEMANHA QUE SE FIRMA COMO A MELHOR EQUIPE DO MUNDIAL, com três fatores estruturantes revelados desde o início do Copa e presentes na partida de hoje:

 

- ALEMANHA MULTICULTURAL: Esta seleção alemã é composta por uma mescla de atletas filhos de imigrantes, algo que proporciona uma pluralidade de ESTILOS DE JOGAR que vai além das competências técnicas (os sensíveis meias Özil -- filho de turcos -- e Khedira -- de ascendencia tunisiana -- e o lateral Boateng -- de pai nigeriano -- trazem características enriquecedoras à equipe;

 

- ALEMANHA RACIONAL: A seleção alemã trás em si o trabalho racionalizado, por meio da soma entre ORGANIZAÇÃO TÁTICA, EFICIENCIA TÉCNICA e VIGOR FÍSICO. Talvez o melhor síntese humana destes elementos está no excepcional volante SCHWEINSTEIGER, que é excelente marcador, apoiador (ele já jogo em funções de ataque), quase não erra passes e possui boa velocidade.

- ALEMANHA JOVIAL E TALENTOSA: Os atletas alemães são jovens, além de MUITO TALENTOSOS, e demonstram disposição para as conquistas, veja os exemplos de Toni Kroos (20 anos), Özil (21 anos) e Thomas  Müller (20 anos).

 

 

Em suma, o que se percebe nesta copa é a presença da COMPETÊNCIA ALEMÃ, certamente fruto de ótimos treinamentos. É uma seleção com dignidade de campeã (em virtude da soma entre culturas diversas, racionalidade e juventude). 

 

 

Na partida, ví tais qualidades em ação e mais uma ARGENTINA desorganizada, frágil defensivamente (a linha de marcação dos zagueiros extremamente recuada, cobrindo somente a pequena área, e o lado direito da defesa permitindo a passagem dos atacantes alemães constantemente), tendente a jogar só pelo lado direito (Di Maria e Messi só tocavam na bola por lá) e "vitimada" pela racionalidade letal  da defesa alemã (que barrou Tevez, Messi ou qualquer outro talento argentino).



 Escrito por Vítu Garcia às 15h19 [] [envie esta mensagem] []






Lições de Tostão

Aí se encontra "humanidade":

"Quando vejo uma partida, tento separar a qualidade e a análise técnica e tática da emoção e da importância do jogo. Não comparo com o futebol do passado e com o atual de outros países. Não sou também um repetidor, um papagaio de pirata. Enxergo e penso. Trabalhei em TV aberta e conheço a preocupação excessiva, doentia, com a audiência. Narrador tenta transformar um jogo bom em espetacular" [grifos meus].

Analise com critério, em que se considera os aspectos de dominação na "espetacularização" pelo meio de comunicação, a realidade permeada de "repetições" (mesmice) e as alternativas em se ver o futebol em sua beleza e emoção, sem perder a criticidade dentre os aspectos técnicos e táticos. A BOA CIÊNCIA EM AÇÃO.



 Escrito por Victor BR às 20h23 [] [envie esta mensagem] []






"A ciência é benéfica ao esporte."??

???


Provocações para uma reflexão.

Os discursos pré-moldados da imprensa (e de alguns setores que interpretam "positivistamente"  -- no mais vulgar cientificismo) que interpretam o futebol no Brasil habitam uma grande residência, com uma placa de fachada escrita "Mesmice", localizada num bairro chamado "Lugar Comum".

Há uma semana atrás assisti no ESPN 360, porque a emissora mesmo é restrita aos seus ricos assinantes, um indivíduo com o sugestivo título de "Dr." a falar sobre uma área chamada "psicossociologia [sic.] do esporte". O dito-cujo em questão é o professor Antonio Carlos Simões, que falou sobre a aplicação de um método bastante objetivo e preciso com vistas a se desvendar as propensões de comportamento dos atletas. Simões fala do vínculo entre os membros de uma equipe, cita que com a canalização de 10% de energia (que poder de mensuração! rs.) de cada jogador  num objetivo, conseguir-se-á bons resultados. O papel do treinador, neste modelo, é conciliar bem os "lados" (como Calçade cita as categorias) físico, técnico, tático e PSICOLÓGICO. De acordo com esta separação do mental (como se os treinamentos estritamente técnicos e/ou táticos não incidisse, ou estivessem completamente separados, da psique individual) também se definiu uma fórmula, já sintetizada num software, que reduz as "características individuais do jogador" a alguns tipos de tendências competitivas: os que estabelecem metas; os que vencem a qualquer custo; os que são competidores (individualistas). Toda uma teoria com ampla capacidade de aplicação prática. Puro utilitarismo teórico.

Não desdenho a pesquisa quantitativista, o que repudio é a redução grosseira ao pragmatismo não reflexivo. Parece que estamos falando de "pebolim" ou de algum jogo de videogame e não de esporte. No futebol os sujeitos falam, pensam, sentem prazer, agridem, choram, etc. É A AÇÃO HUMANA QUE ESTÁ EM JOGO, NÃO ALGUNS OBJETOS OU "COISAS" REDUZIVEIS A NÚMEROS! O enorme problema daquela perspectiva sobre o esporte é o seu reducionismo à "métrica", a noções de ordem abstrato-simbólicas que parecem conceder as respostas por si só.

O esporte, em especial o Futebol, possui como característica fundamental a sua ESTETICIDADE. Futebol é ARTE, é SENTIMENTO e não apenas razão instrumental. Até os maiores quebras-canelas são arte, de péssima qualidade, mas não deixam de ser. E arte, beleza, não se quantifica.

Vale destacar que vejo como maléfica a entrada da ciência e de novas tecnologias no esporte, só destaco que elas não devem preceder ao que É INESGOTÁVEL NO FUTEBOL: A DIFERENÇA, O IMPREVISTO, O ACASO, A EMOÇÃO. Temos que parar com a obsessão por justiça, exatidão e racionalização. Estes aspectos SEMPRE são relativos, com ou sem câmera, com ou sem software para determinar a personalidade dos atletas.    

No meio humano, o fetiche pela quantitativização elimina o evento, o imprevisível, o fenômeno. E como diz recorrentemente Tostão, no topo de sua sensibilidade terrena, o futebol (como prática humana) possui coisas que não podem ser perfeitamente, precisamente, objetivamente explicadas.

Saliento também que não sou um terrorista que quer entregar o esporte aos fortuitos do cotidiano e da irracionalidade. Pelo contrário, acredito muito na ciência e por isso discordo da interpretação rasteira do mero quantitativismo. O que devemos, sim, é combinar a sensibilidade à pesquisa quantitativa à pesquisa qualitativa, entender a criatividade, a liberdade, a beleza e a noção de mundo proporcionadas pelo esporte. Buscar ver o "Homem Total" de Marcel Mauss, a prática esportiva como sistema de valores e ações que espocam a cada momento.

O que provoca preocupação é que o senso comum, veja que tamanha contradição, se mistura com tal cientificismo quantitativista! O IMPORTANTE É GANHAR, MESMO COM JOGO FEIO E ESTÉTICA DESINTERESSANTE! Jornalismo, Muricy e torcedores passam a reproduzir esta idéia. É a crença cega nos números e em esquemas computacionais. Anulam-se assim os sujeitos, os seres humanos em sua extensa gama de complexidades.

Eis que emerge a minha pergunta: Vamos povoar o esporte com o pensamento científico, mas de QUAL CIÊNCIA?



 Escrito por Victor BR às 18h43 [] [envie esta mensagem] []






“O Futebol é o esporte mais democrático”?

 

“O Futebol é o esporte mais democrático”?

Considerações sobre as atuais condições do futebol profissional no Brasil.

 

O futebol sempre foi tratado como o “esporte das massas” pela “mídia impoluta” (numa expressão maliana), tanto no discurso sobre o passado – “a seleção canarinho que encantava as massas” – quanto nas hipócritas representações populares dos torcedores no brasileiro deste ano – as aparições do torcedor tricolor gritando “kieza!” e a desarmônica e simpática vinheta “Ronaldo!” de Zina do Pânico comprovam a apelação ao popular/pop.

 

Na interpretação do renomado antropólogo Roberto DaMatta, o futebol é composto por regras que propiciam a uma conduta cívica e possui uma espécie de “elemento pedagógico” ao sentimento democrático. Ele dá pistas de que se pode consolidar a democracia brasileira por via do futebol.

 

Não há duvidas quanto `a potencialidade estrutural do futebol para o desenrolar de novas formas de coletividade. Certamente este esporte deveria ser mais bem apropriado pela população brasileira. Todavia, um movimento histórico diferente compele o futebol.

 

Institucionalmente, temos o futebol profissional como sobrepujante `as outras praticas do esporte. E os problemas institucionais são tremendos. A lógica dos negócios se apropria do futebol como mera mercadoria, provocando uma quase destruição de suas bases (originais) que seduzem `a sua pratica: este esporte (no Brasil) fica a cada dia mais truncado, menos fluido, mais elitizado e, também, menos democrático.

 

No arguto “post” de Denis Gavazzi em seu blog (http://espnbrasil.terra.com.br/denisgavazzi) fica evidente o afastamento dos torcedores  das camadas populares dos estádios: como exemplo, veja a media de púbico do Corinthians (clube com cerca de vinte e três milhões de torcedores; situado numa região metropolitana de vinte e nove milhões de habitantes; mandante em um estádio com capacidade para quarenta mil espectadores) com a pífia media de cerca de vinte mil pessoas. O preço dos ingressos proporciona alguma explicação: trinta reais as entradas mais baratas para os jogos, sendo que a renda media dos dez por cento mais pobres (população mais próxima da linha da vulnerabilidade, da violência e da escassez alimentar, ou seja, quem precisa dos valores cívicos) é de duzentos e sete reais mensais (R$ 207,00).

 

O que o futebol faz com estas pessoas na atualidade? O mesmo que o mercado de trabalho, a esfera do consumo, dos direitos e da intelectualidade: os exclui.

 

Restringir práticas culturais `as classes médias é o que fazem os clubes. Contudo, alem de excluírem os mais pobres (que sempre sustentaram as equipes, quanto o mando de campo era preponderante na captação de recursos nos clubes) agora engolfam as classes medias para fins utilitaristas: estes pagam como sócios, mas (na maioria) não mandam nas direções dos clubes. Paga a pizza, mas não escolhe entre a parca mussarela ou a rechonchuda "oito queijos".

 

 É a verdadeira “destruição da aura” do futebol. Desfazem-se os rituais maravilhosos dos estádios lotados; privilegia-se a transmissão do “negocio televisivo”; emburrece-se os jogadores com a oferta de um maravilhoso mundo de pop-star; propiciam-se os esquemas dos “chuveirinhos” e a eficiência-corrida.

 

A profissionalização do futebol promoveu uma cadeia, muito frutífera, de avanços. Todavia, a prostituição do futebol para com a grande mídia e a “privataria” dos clubes e da CBF cada vez mais destroem essa, por si só, rica arte de promover a cidadania. Já passou o tempo de haver uma pressão popular pela publicizaçao da CBF.

Que haja diretas!



 Escrito por Victor BR às 19h51 [] [envie esta mensagem] []






Mais uma tabelinha com Mauro Cezar

O Mauro Cezar Pereira sempre me "atiça" a comentar alguns assuntos e sempre excedo o limite de caracteres. Comentário sobre "CBF usa os jogadores dos clubes para faturar mais e ainda faz 'barba e cabelo'".

 

Penso que não há problema na utilização de jogadores, de forma não remunerada, pelas seleções. Afinal (originalmente) a seleção se insere num quadro não unissonamente ligado à mercantilização do futebol. Trata-se da atuação de jogadores representativa da nacionalidade, patrimônio que é fruto de uma construção social que (no Brasil) percorre quase uma centena de anos e que não deve se dissolver em favor da preponderância da venda dos “produtos e serviços futebolísticos” contratados e/ou produzido por algumas “empresas” (leia “clubes de futebol”, na concepção hegemônica – e unilateral – dos comentaristas e profissionais do esporte).

Como disse, ORIGINALMENTE a seleção possui uma natureza de excepcionalidade, todavia sob as podridões da CBF e da FIFA (não sejamos ingênuos ou hipócritas, ela também), as seleções (em especial a nossa) plagiam os clubes nas chamadas administrações de qualidade e eficientes que visam, única e estreitamente, lucro. Desvirtuam-se de sua natureza.

O sentido utilitarista perpetrado pelos clubes, no sentido de quererem limitar o uso pelas seleções também é condenável. Só que as federações (sobretudo a “nossa” – que de fato não é) repetem o mesmo modelo dos clubes. Não enxergam um palmo a frente, devido à fixação pelo dinheiro fácil e rápido (merchan goela a baixo em todos os brasileiros, quanta intromissão!).

 As seleções devem se responsabilizar pela utilização dos jogadores nos seus trabalhos, sim, mas esta não é a questão primordial que devemos debater. Devemos lutar pelo que é estrutural: pela democratização da CBF e da FIFA! Pela clareza na gestão do futebol e mudança no modelo!



 Escrito por Victor BR às 00h15 [] [envie esta mensagem] []




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